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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Ĵomart kaj Nataŝa - Vi kaj Mi



Vi kaj mi, ni ambaû estas
strangaj iomete
Volus ni renkonti festojn
en voja malkvieto

Volus ni trakanti kantojn
en la lingvoj ĉiuj
Kaj ankoraû volus ankaû
aûskulti la aliajn

Volus vidi ni amikojn
dum la tuta jaro
Estu vivo tre komplika
sed ne tre amara

Volus vidi tutan mondon
kaj vojaĝi ĉiam
Trovi volus ni respondojn
al demandojn niaj

Ni ne ĉiam estos junaj
Kaj mi volus ankaû
estu ni por longe kune
vi kaj mi, ni ambaû

terça-feira, 22 de outubro de 2019

A Música Armorial

Quando iniciamos nosso trabalho no campo musical, nosso objetivo era estudar a música brasileira, em particular a do nordeste, e, conhecidos seus sistemas rítmicos, harmônicos e melódicos, criarmos uma composição renovadora. O nordeste talvez seja a região do Brasil que menor influência externa recebeu – a não ser quando da conquista e colonização. Os elementos que aqui ficaram foram amalgamados e reinterpretados. Outros foram escolhidos e acrescentados pelo nosso inconsciente coletivo. E até os elementos trazidos pelos chamados meios de comunicação sofrem os mesmos processos de escolha e assimilação. 
A cultura popular é dinâmica e viva – não acadêmica e imóvel. 
Na música do nordeste, a influência dos povos árabes é muito forte – trazida que foi pelos ibéricos, principalmente, talvez, os de sangue judeu, ligados à tradição do datino. 
Nos aboios, por exemplo, nota-se a presença das escalas de sétima menor e quarta aumentada, características muito antigas da música de velhas comunidades asiáticas. Outra marca é a tendência para evitar a sensível, e assim não realizar a tão comum cadência dominante-tônica da música ocidental. Note-se ainda a presença, no nordeste, do chamado pedal harmônico, ou zumbido, tão comum na música de civilizações primitivas, que lhe atribuem um sentido transcendente, cósmico. Também as persistências rítmicas e melódicas, de importância fundamental para se atingir um clima de transe e dança – tudo isso se unindo para criação de uma música orgânica, que é apreendida intelectualmente depois de atingir e envolver todo o corpo. 
A esses elementos asiáticos e primitivos, que aliás reencontramos, levados pelos árabes, na música ibérica e na provençal, vêm se juntar outras características da música medieval - o canto em terças e certas passagens em quartas e quintas - paralelas. Mais, puramente nossa, já, é a escala maior-menor muito encontrada na música nordestina.
Uma outra preocupação nossa foi o instrumental que usaríamos. Se tudo iria ser recomeçado, por que não criarmos um novo núcleo de instrumentos, um núcleo que não fosse o tradicional quarteto de cordas europeu? 
Assim nasceu o Quinteto Armorial. Cinco instrumentos de presença bem marcante nas manifestações musicais do povo do nordeste foram eleitos e convocados a participar dessa primeira experiência. Novos timbres seriam experimentados, outras linguagens se revelariam, fornecendo-nos novos dados para uma composição organizada, que rompesse as barreiras entre música erudita e música popular - uma música que estivesse mais próxima da nossa realidade cultural, erudita, enquanto concepção e elaboração, popular no seu sentido mais amplo, forte, verdadeiro e profundo.

MADUREIRA, Antônio José.
Contracapa do LP Aralume,